Na Berlinda

As aspas do ministro

Publicado em repórter por Juliana Sayuri em 07/11/2009

Ministro, ele analisa a política nacional com voz firme, coerente com suas palavras firmes. Empresário, ele comenta a economia com a expertise de quem já liderou corporações como Santander Banespa e Volkswagen do Brasil. Jornalista, ele tira de letra a entrevista coletiva com 31 jovens jornalistas do Estado e se permite fazer ironias e brincadeiras. “Estou contando bastidores em off aqui… Para mais de 30 jornalistas”, ironiza Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior desde 2007.
O terno de elegância ministerial impecável se alinha aos sapatos brilhantemente lustrados, marcando com pisadas firmes o ritmo de suas palavras. Assim alinhado, Miguel Jorge dá declarações claras e perfeitas para se tornarem aspas em uma reportagem – talvez por sua longa experiência ancorada no jornal O Estado de S. Paulo, onde foi diretor de redação entre 1977 e 1987. “Fiquei 21 anos no Estado. Comecei no Jornal da Tarde, mas passei por todas as funções: fui repórter de cidades, repórter de política, repórter especial, editor, chefe de reportagem, editor-chefe e assumi a diretoria aos 32 anos. É uma irresponsabilidade do dono do jornal”, brinca o ministro. “E fui um ótimo copy desk”, diz, mantendo o bom humor.

“Não há uma guerra com Guido Mantega”
A respeito do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada de capital externo no País, pauta estampada nos jornais dos últimos dias como pivô das desavenças com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o ministro Miguel Jorge diz: “Não será uma taxação de 2% sobre o capital estrangeiro que tornará a exportação mais competitiva, levando em conta a taxa cambial que nós temos.”
Para Miguel Jorge, o efeito do IOF é “quase inócuo”, pois se trata de um “imposto teórico, quase virtual”. “2% no mercado financeiro é a quase mesma coisa que zero”, critica. A despeito do que diz Mantega sobre o tributo, Miguel Jorge considera que a medida do governo não visaria apenas para amparar os exportadores ou para conter a desvalorização do dólar ante o real, mas que a imposição do IOF se justificaria principalmente pela queda na arrecadação da Receita. Ele considera a possibilidade de o governo voltar atrás e rever a decisão sobre o imposto: “Uma característica boa desse governo é que ele não toma decisões absolutas”, afirma.
Apesar das discordâncias, Miguel Jorge desmente mal-estar com Guido Mantega e, com um sorriso revestido de malícia jornalística, diz: “A mídia está promovendo uma guerra que não há entre mim e Mantega. São apenas opiniões diferentes que nós temos, o que é absolutamente normal.”

“Oficialmente eu sou contra. Até o momento em que há prorrogação”
Na berlinda desta semana, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para eletrodomésticos de linha branca será novamente discutido, na expectativa de que a renúncia fiscal se prorrogue até o fim do ano. “Até o dia 30 eu sou contra a prorrogação”, disse o ministro Miguel Jorge. “Oficialmente eu sou contra a prorrogação dos benefícios. Sou contra até o dia em que a gente prorroga”, declara o ministro, com um sorriso sério curvando o bigode branco. Para ilustrar o caráter non sense do imposto, Miguel Jorge diz: “O IPI sobre um tanquinho é de 10%. O IPI sobre uma máquina automática é 20%. Não faz sentido. Deveria ser 10% para os dois.”

“Tudo o que o presidente Lula disser, eu concordo”
Na esteira das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Miguel Jorge considera que a crise já tenha passado. “Eu não diria que a crise foi uma marolinha, mas foi uma marola, se comparada ao tsunami que assolou os Estados Unidos e a Europa”, diz. “Tudo o que o presidente Lula disser, eu concordo”, diz, sério, mas sorrindo. Jorge conta que o Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC) já está lidando com uma agenda pós-crise, tanto que a pasta já estampa um novo nome: Grupo de Avanço da Competitividade (GAC). “Quiseram manter a sigla, talvez para rimar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, disse um jornalista, divertindo o ministro.
Miguel Jorge acredita que, em relação a 2008, o Brasil deve crescer 1% até o fim do ano. “Ainda não somos um país de primeiro mundo, mas estamos caminhando para isso”, diz, otimista.

“Como bom mineiro, eu não confirmo e nem desminto”
Mineiro de Ponte Nova, Miguel Jorge ainda não definiu o que pretende fazer após sua atuação no Ministério. “Eu não tenho a menor ideia do que vou fazer depois. Assim como quando estava no banco, não tinha a menor ideia de que ia ser ministro. Assim como quando era jornalista, não sabia que ia trabalhar em um grande banco. Assim como não sabia que ia ser jornalista”, conta. “É uma carreira esquisita, né?”, brinca. Sobre o futuro, o ministro mantém o humor espirituoso: “Como bom mineiro, eu não confirmo e nem desminto.”

Abraçada ao teu rancor

Publicado em cotidiano por Juliana Sayuri em 02/11/2009

ABRACADO_AO_MEU_RANCOR__1231641731PMíope em tiroteiro, entre críticas corrosivas aos jornalistas, cãezinhos malabaristas e papagaios, e a esperança pueril de um jornalismo de verdade, por verdade e com verdade, lamento um copo de cachaça e dou a cara pra bater com João Antônio. Estou abraçada ao seu rancor. É leite derramado.  

Não reportem povo, que ele fede. Não contem ruas, vidas, paixões violentas. Não se metam com o restolho que vocês não vêem humanidade ali. Que vocês não percebem vida ali. E vocês não sabem escrever essas coisas. Não podem sentir certas emoções, como o ouvido humano não percebe ultra-sons. Ô caras! Vão xumbregar suas putinhas de coquetel oficial, mijonas, que são quem vocês merecem. A bem dizer, vocês se parecem como duas gotas d’água. Vão lamber sabão ou, não tendo mais o que fazer, vão dar um pouco de bunda! Canalhocratas, cachorrada consentida. Vão, vão… que a parra de vocês é só pros otários, pros salafras, pros coiós das suas parrandas. Eu disse parrandas. Seus paíbas, suas marias-judias! Ninguém embarca na conversa de vocês, seus remandioleiros de araque: este país de 120 e mais alguns milhões de pessoas e vocês, fedidos, quando vendem muito, conseguem bater a marca dos 300 mil exemplares. Vocês não prestam. Suas caras balofas e modais refletem o ofício porco que esquece povo, gente, cidade, tudo. 300 mil exemplares. E olhem lá. Um fiasco, seus… Seus ventríloquos de luxo, apanhadores de notas a que xingam, importantões, com nome estrangeiro de releases oficiais, bonecos de engonço. Ou punheteiros, masturbalísticos. Uns papagaios enfeitados, enfatiotados, uns cavalos escovados em paletós e gravatas. Vocês não passam de sabujo. Rasgando o verbo, o jogo em que vocês estão metidos é mais perfeito que suas ladainhas. Tão perfeito que vocês acabam gostando dele. No íntimo, vocês maquinam que chegarão lá: “Caráter? caráter já era. Só o poder vale”. E, no fundo, a derrocada alheia os diverte, e uma possível escalada, pessoal e indivisível, lhes acende a gana. Jantemos o nosso irmão, antes que ele nos almoce. Não é assim? Mas estão enganadinhos, que esse jogo já tinha ganhador antes de começar. E o chamado quarto poder da imprensa já dançou, meus, há muito e muito acovardado pela ditadura tupi. Aparentemente, assim, vocês avançam alguns pontos. Mas estão todos enredados, complicados, prejudicados. E fornicados. E escapar, um dia, qual o quê! Ou caem nas garras de um ministério qualquer, trabalhando a mentiralhada de um governo que dizem odiar, ou acabam na mão de uma multinacional. Qual a diferença? Não me dirão? Estão amarrados, argoladinhos, puxados pelo nariz. Abrir a gaiola e escapar é o qu’eu quero ver: e, aí, ninguém. Aí, o gás acabou. Vocês perderam o jeito, o tempo, a vergonha. A fibra. E não têm coragem para mudar. Vocês sabem, quando não bêbados ou dopados, que não fazem falta alguma. E que o mundo seria melhor sem vocês.João Antônio, 1986.

* Abraçado ao meu rancor,

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Undress

Publicado em cotidiano por Juliana Sayuri em 30/10/2009

Peça publicitária do desodorante Lynx/Axe: Getting Dressed, laureado com o Leão de Ouro no Festival de Cannes de 2004. Dica da Malu Barsanelli :)
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Zumbis urbanos

Publicado em repórter por Juliana Sayuri em 30/10/2009

Eduardo Murai está pronto para sair do armário. Aliás, da tumba. O paulistano de 23 anos espera ansioso pela segunda-feira, 2 de novembro, dia em que poderá vestir a camisa de sua causa: os zumbis. Para marchar cambaleante ao lado de seus companheiros mortos-vivos, Eduardo capricha no figurino fantasmagórico com direito a camiseta sangrando tinta vermelha, pancake branco, massa slug para simular ferimentos e sombra preta para esfumaçar os olhos. “Dia de Finados é um tédio e zumbis são engraçados”, diz Eduardo, um dos organizadores da 4ª edição da Zombie Walk de São Paulo, embalada pelo clima de Halloween e com Thriller de Michael Jackson como trilha sonora.

Feita por adoradores de filmes trash de terror, espalhados pelo mundo, “a Zombie Walk é uma manifestação cultural”. Assim Eduardo Murai define a caminhada feita por pessoas fantasiadas de zumbis por cidades como Montreal, Nova York e Seattle. Seis míseros mortos-vivos canadenses realizaram o primeiro encontro em Toronto, em 2003, mas foi em Vancouver, em 2005, que o evento ganhou mais visibilidade, atraindo 400 simpatizantes. A primeira vez em que a cidade de São Paulo foi palco dessa marcha fúnebre às avessas foi em outubro de 2006.

Neste ano, o itinerário das almas inquietas partirá da Praça do Patriarca às 17 horas, passando por cartões postais paulistanos como Viaduto do Chá, Teatro Municipal, Praça da República, Edifício Itália e Copan. “É sempre um mistério. Vão centenas de pessoas”, estima Eduardo, sem esconder a incerteza sobre quantos participantes irão às ruas. “A articulação é online. Não dá para saber”, justifica. “Por enquanto é um flash mob, mas com o tempo poderá se tornar uma manifestação maior”, espera o fotógrafo Gilberto Xis, que não pretende se vestir a caráter para a Zombie Walk. Mas, por adorar o “universo underground”, estará lá para fotografar as assombrações.

No entanto, há quem não goste tanto de zumbis. No ano passado, a marcha causou mal-estar diante de famílias de luto, ao passar grunhindo pela Avenida Paulista e pela Rua Augusta, com paradas estratégicas nos cemitérios da Consolação e do Araçá. Eduardo afirma que “apesar de divertida, a caminhada não é deboche ou crítica, é apenas uma festa alternativa para um ‘dia morto’”. E Gilberto acrescenta: “As festas do Dia dos Mortos, no México, não são tão diferentes disso. Por que não podemos lembrar nossos mortos com um sorriso? Por que não posso prestar minha homenagem com serenidade, depois sair do cemitério e ir brincar na avenida?”

“A Zombie Walk é uma coisa importada. Seria mais genuíno se tivéssemos uma caminhada do Saci”, critica Eduardo Coelho Rezende, presidente da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais. “Bom, mas cemitério é uma ‘catraca livre’, todo mundo pode entrar”, diz Rezende. O historiador Mauro Rizo, mais um admirador de arte tumular e história de necrópoles, comenta: “Não vou mentir, não é um lugar agradável. Afinal, nós estamos ao lado de restos mortais, mas me interesso pelo que há do solo para cima.” Do solo para cima e no mundo além-muros do cemitério, desta vez, a rota dos mortos-vivos se desviará dos túmulos. Os mortos de verdade poderão descansar em paz.

Encruzilhadas no Rio Madeira

Publicado em repórter por Juliana Sayuri em 30/10/2009

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Enquanto há discussões turbulentas e obras a pleno vapor na Usina Hidrelétrica Santo Antônio, a vida desacelera na agrovila do Novo Engenho Velho

É pau, é pedra, é o fim do caminho. A madeira divide espaço com cimento, o rio se desvia por barragens, a casa virou canteiro. Nessa encruzilhada, novos caminhos terão de ser desbravados em Porto Velho (RO), com a construção de duas usinas hidrelétricas no Rio Madeira, Jirau e Santo Antônio, lideradas respectivamente pelas construtoras Camargo Corrêa e Norberto Odebrecht. “Para o bem ou para o mal, a construção de usinas é um caminho irreversível”, diz Nelson Bacic Olic, doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP).

À margem direita do rio, as rústicas casas de madeira de 70 famílias ribeirinhas do Engenho Velho deram lugar ao canteiro de obras do consórcio Santo Antônio Energia, composto por Odebrecht, Andrade Gutierrez, Fundo de Investimentos e Participações Amazônia Energia (FIP), Companhia Elétrica de Minas Gerais e Furnas Centrais Elétricas, com orçamento total de R$ 13,5 bilhões.

Os primeiros passos dessa empreitada se deram em 2001, com o investimento de R$ 150 milhões de Furnas e Odebrecht para a realização de estudos de engenharia e análise de impactos socioambientais. Em maio de 2007, o projeto recebeu sinal verde do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e, em setembro de 2008, as obras foram iniciadas, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) e Caixa Econômica Federal. Em maio de 2012, a usina poderá iniciar a geração de energia, mas a obra será inteiramente concluída apenas em dezembro de 2015, quando poderá atender a 11 milhões de residências. “Negócio, quando é bom, interessa a todo o mundo”, diz o engenheiro José Bonifácio Pinto Junior, diretor de Contrato da Odebrecht.

No entanto, o geógrafo Nelson Olic considera que “nem todo o mundo concorda com as obras. Por um lado, temos uma obra de imensa importância para a matriz energética do País. Por outro, temos várias comunidades ribeirinhas tendo de sair de seus lares.” Para Bonifácio, é preciso equilibrar os diferentes interesses em jogo e encontrar alternativas para “minimizar” os impactos: “Nós temos uma questão energética, uma econômica e uma socioambiental. Não dá para pensar só uma, é preciso ponderar as três.” Mas há quem questione veementemente se a energia vale o desapossamento dos ribeirinhos e está sendo instaurada uma CPI das Usinas, liderada pelo deputado Tiziu Jidalias (PP). Entre as acaloradas discussões, a jornalista Juliane Calaes, da Santo Antônio, pondera: “Não se trata de uma briga de mocinhos e bandidos. É uma obra de interesse nacional.”

Rondonia&Cia 084Enquanto discussões e escavadeiras estão a todo vapor no canteiro de obras, uma nova trilha está sendo traçada pelas 70 famílias que antes viviam no Engenho Velho. Entre elas, 30 preferiram mudar para “a cidade”, zona urbana de Porto Velho: “Ninguém saiu recebendo menos de R$ 10 mil [de indenização]”, diz Luiz Zoccal, coordenador de Sustentabilidade da Santo Antonio Energia. As demais 40 famílias foram reassentadas na agrovila Novo Engenho Velho, próxima ao Rio Madeira – “isto é, a vida continua perto de onde eles moravam antes”, afirma Zoccal, que aponta 99% de “aceitação amigável” entre as famílias. Já Océlio Muniz, coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Rondônia, critica: “As famílias estão insatisfeitas. A agrovila descaracterizou toda a vida dos ribeirinhos, tirou a produção de várzea, a macaxeira, os peixes. A agrovila tirou a relação dos ribeirinhos com o rio.”

Enquanto isso, no Novo Engenho Velho

No horizonte amarelado rondoniense, sob o clima tropical sem o menor vestígio de brisa, as roupas coloridas permanecem sonolentas no varal. Entre as casinhas amarelas, azuis e vermelhas do Novo Engenho Velho, o silêncio é quebrado pelo som sertanejo de Bruno & Marrone, vindo da casa de Josiane Santos de Freitas, de 26 anos. Logo na entrada, lê-se: “Residência do Senhor Jorge Cartageno de Freitas”. Mas não é mais Jorge quem vive ali: “Meu pai morreu aos 44 anos, deprimido e alcoólatra”, conta Josiane. Pescador, “ele não se encontrava mais” na nova vila, diz a filha.

Josiane vivia no bairro de Três Marias, mas se mudou após a morte de Jorge. Apesar de “passear pela cidade” nos fins de semana, ela passa a semana na antiga casa do pai, pois o marido Jardeson Rodrigues Garcia trabalha na obra da usina e a filha Maria Eduarda, de 7 anos, frequenta a escola local. Assim que o ano letivo de Eduarda terminar, ela pretende voltar a Porto Velho e alugar a casa para a empreiteira. “Sinto saudade da agitação da cidade”, diz Josiane.

Na agrovila, ela coleciona familiares: “Minha avó mora ali ao lado, meu tio e meus primos, tá todo o mundo aqui”, diz, com a voz vagarosa. Mas destaca Maria Amazolina de Freitas, a “Tia Amazonas”, que por mais de 50 anos viveu no antigo Engenho: “Ela diz todos os dias que não se acostuma com esse ‘Novo’ Engenho. Fica deprimida, com saudade da horta, das galinhas. Diz que lá onde eles moravam era muito melhor do que aqui”, conta. As casas da agrovila contam com estrutura de luz, água, esgoto – “privilégios básicos que 90% dos habitantes de Porto Velho não têm”, diz Zoccal –, além de piso de cerâmica, azulejos brancos na cozinha e telas contra mosquitos transmissores da malária. Apesar disso, muitos ribeirinhos, como Maria Amazolina, ainda preferem a vida que levavam antes.

Imersa no marasmo tropical da agrovila, Josiane suspira: “A vida aqui é muito parada.” As igrejas, católica e evangélica, que seriam construídas? “Ainda não foram inauguradas, não”. O posto de saúde? “Ainda não abriu, não”. A escola? “Tá pronta não”. O cultivo de mandioca? “Plantar, plantaram bastante. Mas não colheram nada, não”. E a vida? “A vida aqui é muito parada”, suspira mais uma vez.

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Little Joy

Publicado em cotidiano por Juliana Sayuri em 27/10/2009

Não sei bem dizer o porquê, mas essa música With Strangers, do Little Joy, me lembra um quê de Quizás, na verdade a versão Perhaps, Perhaps Perhaps do Cake, misturado com um verso de Pablo Neruda, uma pitada leve de Change Your Heart, trilha sonora de Brilho Eterno, e uma dose de Hi, Stranger!, palavras-chave de Closer. Freud entenderia. Aí:

“I bet you’re wondering how I knew that this would come to an end
He stole your heart from you, so you tossed me out to the wind”

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